Lisboa, uma Cidade em Movimento 

“As pessoas transformam as cidades e as cidades transformam as pessoas”. É a partir desta relação que Diogo Coelho fotografa Lisboa. 

A viver na cidade desde 2003, Diogo conhece as suas ruas a pé, entre bairros históricos, avenidas, zonas modernas, ruas estreitas e o rio Tejo. Enquanto street photographer procura registar pequenos momentos do quotidiano: gestos, expressões e encontros que desaparecem numa fração de segundo. 

Lisboa, uma Cidade em Movimento 

“As pessoas transformam as cidades e as cidades transformam as pessoas”. É a partir desta relação que Diogo Coelho fotografa Lisboa. 

A viver na cidade desde 2003, Diogo conhece as suas ruas a pé, entre bairros históricos, avenidas, zonas modernas, ruas estreitas e o rio Tejo. Enquanto street photographer procura registar pequenos momentos do quotidiano: gestos, expressões e encontros que desaparecem numa fração de segundo. 

Diogo não procura construir uma imagem idealizada de Lisboa. O que lhe interessa é observar o mundo como ele é e encontrar significado naquilo que, à primeira vista, poderia parecer banal. 

“As coisas banais não são assim tão banais, quando aprendemos a ver.” 

Sair para Encontrar 

Quando sai para fotografar, Diogo não leva um plano definido. Leva tempo, atenção e disponibilidade para aquilo que possa acontecer. 

A fotografia de rua começa antes de levantar a câmara. É feita de percursos repetidos, de observar a mesma rua a diferentes horas e de perceber como a luz e o movimento alteram a cidade. 

“Quando vou para a rua fotografar não levo um storyboard, levo muito otimismo, vou com a mente e os olhos bem abertos.” 

Diogo Coelho

Diogo percorre longas distâncias, adapta os seus caminhos e espera que alguma coisa aconteça. Entre os elementos que mais despertam a sua atenção estão as mãos a cobrir o rosto, pessoas mais velhas cuidadosamente vestidas, leitores de jornais, sombras projetadas e a luz que atravessa as ruas da Baixa. 

São pequenos sinais que interrompem o fluxo habitual da cidade e transformam uma situação comum numa imagem. 

O Tempo do Filme 

Diogo fotografa sobretudo a preto e branco. Para ele, esta escolha é emocional e está ligada a uma abordagem humanista e documental, centrada nas pessoas comuns e nas relações que se estabelecem na rua. 

Ao retirar a cor, a atenção concentra-se na luz, na sombra, nas texturas, na composição e na expressão. Cada fotografia passa a ser construída através de diferentes tons de cinzento e dos contrastes entre eles. 

O filme introduz também uma relação diferente com o tempo. Cada rolo tem 36 possibilidades. Cada disparo é, por isso, uma decisão. Isto obriga-o a observar a luz, o movimento das pessoas e a composição antes de fotografar. Não há espaço para fotografar tudo. Há apenas o momento certo – ou a tentativa de o reconhecer. 

“Quando tens apenas 36 frames por rolo, cada fotografia torna-se uma decisão em vez de um reflexo.“

Diogo Coelho

A Leica M6 como Extensão do Corpo 

A relação de Diogo com as câmaras Leica M começou com uma Leica M2, passando para a Leica M6 TTL, que passou a acompanhá-lo nas ruas de Lisboa diariamente. 

Antes de fotografar, o Diogo precisa de interpretar a luz, preparar a exposição e decidir como quer focar. Dependendo da situação, recorre ao zone focus ou ao rangefinder para realizar a focagem manual. 

Esse processo exige antecipação, sobretudo quando tudo acontece rapidamente. É preciso adaptar a câmara à passagem entre a luz e a sombra, ao interior e ao exterior e às diferentes sensibilidades do filme. 

“Ultrapassando isso tudo, a Leica M6 passou a ser a extensão dos meus olhos e meu braço.” 

Diogo Coelho

Luz, Acaso e Atenção 

Lisboa oferece-lhe uma condição essencial: luz durante todo o ano. Diogo gosta de trabalhar a diferentes horas, incluindo a luz dura do meio-dia. Procura o sol pelas costas ou a luz lateral, que atravessa uma rua ou uma avenida e cria contrastes sobre as pessoas e os edifícios. 

Mas a luz é apenas uma parte do processo. A fotografia também acontece em dias de chuva, em momentos inesperados e em situações que não podem ser planeadas. 

Para o Diogo, uma das imagens mais marcantes deste conjunto foi feita durante o eclipse solar deste ano. No meio de uma multidão reunida para observar o fenómeno, Diogo reparou num homem que se afastava do grupo, vestido de fato e com óculos próprios para assistir ao eclipse. Começou a correr para se aproximar. Teve tempo para fazer apenas uma fotografia antes de o momento desaparecer. 

A imagem cria um contraste entre a figura solitária e formal do homem e a multidão vestida de forma descontraída. O preto e branco reforça o jogo entre a luz, as sombras e a expectativa partilhada por todos os que pararam para observar o céu.

Uma Prática Sem Fim 

A fotografia de rua não é, para Diogo, um projeto com um ponto de chegada. É uma prática diária, feita de persistência e disponibilidade. 

Há dias em que percorre os mesmos caminhos sem encontrar uma imagem. Há outros em que o acaso recompensa a atenção. Mas, para ele, a sorte também se constrói. 

“Criar a nossa própria sorte envolve muito trabalho e dedicação.” 

Continuar a fotografar Lisboa é continuar a conhecê-la. Através da Leica M6, Diogo Coelho regista o presente em película, uma imagem de cada vez. 

Diogo Coelho 

Diogo Coelho é fotógrafo e videógrafo freelancer, procura documentar a vida nas cidades por onde passa, em especial Lisboa, onde reside.

Tem na fotografia, a preto e branco, por vezes a cores, recorrendo ao filme 35mm, o meio para anotar o que vê e sente, a luz, comportamentos, reações das pessoas, o mundo quando se releva numa fração de segundo.

Gosta de contar histórias através de uma imagem de estranhos que se cruza na rua de forma espontânea, honesta, guiado pelo instinto.

Natural da ilha da Madeira, a sua formação e carreira profissional é na produção de vídeos, como videógrafo.

O Equipamento Utilizado Por Diogo Coelho 

O Equipamento Utilizado Por Diogo Coelho 

Da Inspiração à Prática: Fotografe com Diogo Coelho

Nos dias 5 e 6 de dezembro, participe do workshop “Ver Lisboa a Preto e Branco — Street Photography” com Diogo Coelho, em Lisboa. Aprenda através de sessões práticas nas ruas da cidade e da análise das suas fotografias, aprenda a abrandar, observar e descobrir histórias nos pequenos gestos do quotidiano. Desenvolva um olhar mais atento à luz, à composição e ao que o rodeia.

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